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Saturday, May 12, 2018

 

Como comprar passagem em promoção - Parte 1

Desde a época que trabalhava em cia aérea, 3 ao longo de mais de 13 anos, sempre ouvi a pergunta:

- Quanto custa uma passagem pra XXX?

Substitua XXX por um destino qualquer.

A resposta sempre vinha seguido daquele sorriso amarelo:

- Depende...

Meus interlocutores nunca entendiam a complexidade dessa resposta.
Alguns achavam que tinha preguiça pra responder, má vontade ou que não sabia.

É verdade, nunca soube nem nunca saberemos, todos nós, nem os funcionários.

Passagens (e informações) em companhias aéreas são como "iogurte aberto fora da geladeira", dizia um antigo diretor de vendas. Perecível, pra ser consumido na hora, e portanto, passível de mudança instantânea sem aviso prévio.

Atualmente, há sites e aplicativos que acompanham os preços e até informam a melhor hora de comprar, mesmo assim, algumas pessoas ficam confusas com as variações. E usar esses sites não significa que você pagará barato, até porque existe aquela máxima: "o barato sai caro". Depende, também.

Tentarei explicar a seguir algumas variáveis como complemento ao post anterior, em que falei sobre a complexidade da "malha aérea" com inúmeras e infinitas "origens-destino".

Toda rota, da mais simples a mais complexa, tem inúmeras variáveis e duas das principais delas são: antecedência da compra (ADVP = advance purchase, que na hotelaria é BW = booking window) e o tempo de estadia (MN = minimum stay, que na hotelaria é LoS = lenght of stay).

Considerando apenas essas 2 variáveis, os preços variam conforme a data da compra (em relação a data da viagem) e o tempo de estadia no destino.

Com isso, as cias aéreas fazem uma tabela de preços progressivos com valores mínimos e máximos, de ida e volta. Essa tabela tem, na grande maioria das vezes, pelo menos 10 preços diferentes.

Pra exemplificar, e simplificar, imagine a rota RIO-SP, com preços de 100 a 1000. Ou seja, o preço que será pago dependerá no mínimo dessas 2 variáveis.

As regras dessas variáveis mudam de companhia pra companhia, de rota pra rota e de voo pra voo.

Além disso, é preciso considerar que existem 2 tabelas de preços em todas as rotas: uma tabela de ida e volta (round trip) e outra paralela só de "ida" ou só de "volta" se assim preferirem (one-way).

Só com isso a precificação já começa a ficar complexa. E pra acrescentar uma variável que todos podem observar, existe a taxa de ocupação do voo.

Simples, mais cheio = mais caro, ou então  maior demanda = maior preço.

Aí entra outra variável, também possível de descobrir numa pesquisa (relativamente simples), qual ou quais opções a rota X tem?
Assim, saberemos quem participa do mercado "origem-destino".

Novamente pra ficar no exemplo Rio-SP, atualmente 4 cias aéreas 'brigam' pelos mesmos passageiros: GOL, LATAM, Avianca e Azul.

Ocorre que existe o tal "market share", que é a participação de cada uma delas neste mercado.
Exemplo: a cada 1000 lugares vendidos nesta ponte aérea, 800 são vendidos pela GOL e LATAM enquanto Azul e Avianca dividem 200.
Isso não é um dado fixo, apenas aproximado pra exemplificar a complexidade da precificação.

Aqui faço um parêntesis, a origem destino "Rio-SP" pode envolver: Congonhas e Guarulhos, Santos Dumont e Galeão, além de Viracopos (Campinas), Jacarepaguá e Campo de Marte (ambos mais dedicados a voo privados, não-comerciais).

Vejam só, se numa única origem-destino dessas, existem pelo menos 5 aeroportos, imagine combinar aquelas 2 tabelas de preços (Round Trip e One Way) em combinações como: Santos Dumont-Congonhas, Galeão-Congonhas, Santos Dumont-Guarulhos, Santos Dumont-Viracopos, Galeão-Guarulhos, Galeão-Viracopos. Ou seja, só o trecho RIO-SP tem 6 opções. Invertendo a rota, teremos no mínimo mais 6 (se considerarmos apenas 2/3: Congonhas e Guarulhos).

Percebam: Rio-SP-Rio tem pelo menos 12 combinações possíveis, com mais de 10 preços, isso porque estou simplificando pra explicar. Existem, facilmente, mais de 15 preços por cia aérea por trecho.

Tá, beleza! E daí?

Quando você quiser comprar uma passagem, procure saber quais cias aéreas operam a rota desejada.

Sabendo todas as companhias aéreas envolvidas no seu itinerário, você terá uma idéia do tal market share, quem voa mais e tem mais assentos disponíveis.

Normalmente a tendência é, quem tem mais assento numa rota, tem os melhores preços. Mas isso não é regra.

Quem tem mais assentos também tem a possibilidade de ter os preços mais caros, afinal, ter mais assentos significa ter mais  opções, maior capilaridade (capacidade de aumentar o poder de distribuição entre rotas complementares ou auxiliares), e também maior diversidade de horários.

Vejam só, se numa rota "simples" como Rio-SP já tem essa complexidade toda, imagine querer voar do Brasil pra Ásia.

Nestes casos, não somente, entram outras variáveis como Open Jaw ou Double Open Jaw, quando a origem-destino muda de aeroporto (na origem, no destino, ou nos dois).
Exemplo: Rio-Paris (Santos Dumont e Galeão // Charles de Gaulle e Orly)

Falarei sobre isso num outro post porque esse já ficou longo demais.


Wednesday, May 09, 2018

 

Origem e Destino

Anos atrás fui procurar emprego no aeroporto, local que sempre despertou minha imaginação desde criança.

Acabei sendo contratado pela finada e saudosa Varig que nesta semana faria 91 anos se ainda estivesse em operação.

A Varig naquela época, apesar de já estar em dificuldade financeira, era considerada uma "embaixada" do Brasil, uma referência nacional.
Senti orgulho de vestir aquele uniforme e fui trabalhar feliz da vida.

Logo no primeiro dia me avisaram que trabalharia no "porão" do aeroporto, escondido no "ele-ele" ou "LL", acrônimo pra Lost Luggage. Isso mesmo, 'mala perdida' numa tradução livre.

Todos funcionários que me davam as boas vindas também lamentavam a "escolha" do setor, aspas porque não foi uma escolha, foi uma determinação, afinal ninguém gostava do porão, do excesso de malas extraviadas, dos passageiros nervosos sem suas malas e de todo stress que o departamento envolvia.

Era jovem demais, estava no início da faculdade e só o fato de ter que ir trabalhar naquele local de boas memórias já compensavam o fator "porão".

Ver e viver aquele mundo, ou submundo, cotidianamente, com pessoas chegando e outras partindo de todas as partes de mundo, me fascinava e me ensinava.

Aeroporto é uma escola. Aprendi muita coisa procurando malas e ajudando passageiros.

Fui logo "promovido" a sair do "porão" pro desembarque, aquele lugar onde as pessoas passam, pegam as malas e vão embora. Alguns passam por segundos e outros por minutos, mas sempre de passagem.

Nesse 'ritual' de passagem, pude perceber que o desembarque pode ser o fim da viagem de uma pessoa, apenas uma parte de uma viagem maior ou o início da viagem. Três tempos distintos num mesmo local: origem, conexão, destino. Um único voo.

Todo e qualquer voo, portanto, não começa nem termina na sua origem ou no seu destino, será sempre um ponto de conexão entre tempos, pessoas, origens, destinos e muita história.

Da próxima vez que você entrar num avião, tente refletir:
Quantas origens e destinos estão envolvidos num único voo?

Apenas pra citar um exemplo:

Um voo de São Paulo pra Nova York pode ser parte de uma viagem entre Buenos Aires e Toronto. O que muitos enxergam como uma conexão entre Brasil-EUA também pode ser uma Argentina-Canadá.

Quando você for comprar uma passagem, lembre-se disso! E saiba também, que todas as origens, destinos e conexões influenciam no preço final e por isso também que passagem não tem preço fixo.

Por enquanto é isso, espero voltar em breve com outras histórias de aeroporto, ou não. 

Paulo Dimas


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